O Centro das Culturas do Brasil
O processo de formação do povo brasileiro que se deu a partir da mistura dos povos originários, com os europeus e africanos, e mais adiante entre esses e os imigrantes europeus e asiáticos do século XX, concebeu um novo povo que na sua jovem história começa a se reconhecer como nação, começa a consolidar sua identidade nacional. Portanto não podemos falar de uma identidade brasileira sem resgatar as raízes dos povos originários, dos povos africanos e dos imigrantes e dos próprios colonizados, também não é possível falar dessa identidade separada de uma identidade latino-americana.
Esta identidade é a da mistura, da miscigenação, da diversidade, onde o futuro de indivíduos e de povos não está determinado, estabelecido, como nos velhos continentes, onde quase tudo está previsto.
A nossa é uma identidade ainda não definida. Está em construção, em trânsito até o futuro.
Esse futuro pode ser um momento humanista que nos integre regionalmente, um momento que talvez ainda não esteja próximo, porém que pode e deve ser construído.
A formação do povo brasileiro já nasce misturado, já nasce com uma rica diversidade, ainda que não aceita, não compreendida e até desvalorizada, desqualificada, por “ser muito misturada”. Pois justamente essa mistura de povos, essa diversidade histórica: indígenas, africanos, portugueses e europeus, mais adiante as grandes migrações européias e asiáticas (judeus, árabes e japoneses), contribuíram para formar um povo novo e ainda em processo. Os brasileiros e brasileiras devem se orgulhar de sua diversidade pois ela é uma das riquezas, se não a maior, dessa jovem nação.
A dominação das elites, européias e nacional, não foi maior que a força da construção humana desses povos, de diferentes costumes, com diferentes situações (explorados e exploradores), que pela base construíram uma identidade comum contemplado sua diversidade.
Na história do povo brasileiro encontramos muita luta contra as elites dominantes, resistências dos povos originários em relação ao domínio e exploração dos colonizadores, encontramos luta contra a escravidão dos negros e dos índios, encontramos também muita criatividade, união e esperança.
Outro aspecto importante que deve ser discutido é a própria história e a imagem do povo brasileiro, que muitas vezes está ligada a idéia de um “povo pacífico/passivo”, e com baixa estima. Como um povo que é sinônimo de esperança, criatividade e alegria pode ser considerado acomodado. Um povo que espalha sua cultura pelo mundo, um povo que absorve as culturas do mundo e a transforma, agrega como parte de sua cultura é um povo criador, é um povo que como maior virtude a construção comum na diversidade.
O Centro das Culturas do Brasil trabalha para a construção de novos momentos humanistas no futuro. Também queremos reconhecer os momentos humanistas em nosso continente no passado distante ou recente.
Queremos nos reencontrar com essas raízes, conectar
com o espírito de todos os povos em seus momentos de esplendor
humanista, quando conviviam em comunidades verdadeiramente solidárias e
se sentiam parte de mistério de todo o existente.
Momentos em que eram menor o fechamento individualista.
Momentos em que o egoismo não era , “um impulso
natural do homem que gera progresso quando há livre
competição ”, senão uma desvio
alarmante a respeito ao modelo de saúde mental da
comunidade.
Nossa identidade latino-americana está no futuro. Pode ir-se construindo, pode ser elegida, pode ser projetada. Uma identidade querida, intencionada, é um destino.
Queremos sair do encerramento e do egoismo, não só como
uma estratégia para poder unirmos frente ao agressor, senão como
resultado da eleição livre de um projeto de vida
diferente.
Quando o diálogo entre as culturas tenha
construído o mundo que queremos, este mundo seguirá sendo
solidário e não violento porque o elegemos como uma
opção de convivência humana, profundamente
querida.
Aspiramos com isso superar as condições externas
oprimentes nas quais estamos submersos, com um novo modelo de civilização
que some e valorize as diferenças que hoje separam as culturas.
Uma América Latina que se uma em um
projeto humanizador, pode converter rapidamente o resto
do planeta por seu “efeito demonstração” . O
Brasil tem as condições, culturais, históricas
e políticas para ser protagonista desse processo.
Esse efeito demonstração vai nos impulsionar na direção de nossa imaginação, porque vai fortalecer nossa fé, nessa imagem moldada no calor de nossos melhores sentimentos, essa imagem que se foi construindo a golpes de rebeldia, cada vez que nos feriu profundamente uma injustiça. Essa imagem de um mundo que pressentimos quando tratamos aos outros como queremos ser tratados, quando realizamos ações verdadeiramente desinteressadas.
É a imagem dessa união em
paz, em liberdade, em igualdade, aberta ao conhecimento, à beleza,
a generosidade, ao amor pela vida, a equidade, à criatividade,
ao contato com o sagrado a que muitos humanistas na história dedicam
sua vida.
O Centro das Culturas do Brasil aspira converter a América Latina, e porque não a América toda, na vanguarda de uma nova civilização planetária, regida por valores humanistas. O Brasil tem um importante papel a desempenhar como referência para a América Latina devido ao enorme potencial de diversidade humana, étnica e cultural que possui entre seu povo. Por isso, aspiramos a que o Centro das Culturas do Brasil canalize toda a força de nossas raízes multiculturais e toda a energia de nossas diversas comunidades atuais em direção a uma nova Nação Humana Universal.
Perfil do Centro das Culturas no Brasil
O Humanismo Universalista
“O Humanismo Universalista, também chamado de Novo Humanismo, se caracteriza por destacar a atitude humanista. Dita atitude não é uma filosofia senão uma perspectiva, uma sensibilidade e um modo a relação com os outros seres humanos. O humanismo universalista sustenta que em todas as culturas, em seu melhor momento de criatividade, a atitude humanista impregna o ambiente social. Assim, se repudia a discriminação, as guerras e, em geral, a violência. A liberdade de idéias e crenças toma forte impulso, o que incentiva, por sua vez, a investigação e a criatividade na ciência, arte e outras expressões sociais. Em todo o caso, o humanismo universalista propõe um diálogo não abstrato nem institucional entre representantes de distintas culturas, senão o acordo em pontos básicos e a mútua colaboração entre representantes de distintas culturas, baseando-se em momentos universalistas simétricos 1 .
(1. tirado do dicionário do novo humanismo)
Na sociedade atual a convivência entre diferentes culturas é um fato cotidiano. Mas o extraordinário deste momento histórico é que se trata de um momento de mundialização em que todas as culturas se aproximam e se influenciam mutuamente, como nunca antes havia acontecido.
É importante distinguir entre este processo de mundialização crescente e a globalização. A tão mencionada globalização não é senão outra coisa que o tradicional comportamento que tem impulsionado os centros imperiais. Como tem acontecido reiteradamente na história, estes impérios se instalam, se desenvolvem e fazem girar ao redor outros povos tratando de impor sua língua, seus costumes, sua vestimenta, sua alimentação e todos os seus códigos. Finalmente essas estruturas imperialistas acabam gerando violência e caos, além de também tentar dirigir a própria subjetividade das pessoas através do meios de comunicação de massa.
Hoje é necessária a formação de âmbitos onde se resgatem as idéias, as crenças e as atitudes humanistas de cada cultura que, mais além de toda diferença, se encontram nos diferentes povos e indivíduos.
Em termos gerais o Centro das Culturas do Brasil se propõe a facilitar e estimular o diálogo entre as culturas, lutar contra a discriminação e a violência, e levar a mensagem do Novo Humanismo, além de fortalecer as aspectos humanistas da diversidade cultural brasileira e das diferentes culturas de outros paises que atual no Brasil.
Partimos da afirmação que em todas as culturas, em seu melhor momento de criatividade, a atitude humanista tem penetrado no ambiente social. Estes momentos humanistas tem indicadores muito precisos: